s o r t e

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Depois de cinco anos blogando torna-se difícil parar. Procurei todo tipo de ajuda, inclusive médica e espiritual, mas não houve jeito. A cabeça doía, as náuseas não paravam e os dedos ficavam assim, digitando no ar. E as idéias? Basta o tio dizer uma coisa engraçada no almoço em família pra gente responder: “Isso daria um post”. Depois da derrota do time, naquela hora em que o único travesseiro possível é um ombro de mulher, a gente pensa: “Isso daria um post”.  A vida passa a ser uma infinita sequência de posts não escritos e inéditos. E qual a graça em se desperdiçar idéias? Nenhuma. Até existe a saída de se imaginar postando e isto satisfazer de algum modo, uma espécie de telepatia aplicada ao cotidiano, o post como comentário privado do tempo que passa. Mas aos poucos surge no caminho uma sensação cumulativa semelhante àquela sensação recorrente que sentimos ao pensar numa resposta adequada, logo depois de terminado o diálogo. Algo que não dizemos, isto pode ser frustrante. Assim que esta atividade termina por adquirir contornos terapêuticos para mim. Blogar melhoraria meu caráter, à maneira das crenças antigas no poder da caligrafia como atividade conformadora da personalidade? Talvez. Tenho a impressão de progressivamente me sentir melhor, agora que estou prestes a apertar a tecla “publicar”.

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