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“Consigo fazer com que o João Teimoso atravesse a porta da minha casa de brinquedo. Eu não caibo todo dentro dela. Mas quem disse que é preciso caber inteiro dentro da casa? Basta que uma parte do meu corpo esteja dentro dela. Estou muito cansado para me preocupar com um assunto tão sem importância. Com a cabeça dentro da casa e a cabeça do João Teimoso esmagada contra meu rosto, chorando para o seu sorriso, sou apanhado pelo sono. Amanhã acharei uma saída. Os ratos mordem as minhas pernas mas nem isso mais eu sinto. Vou ver se durmo um pouco e amanhã, depois de ver o meu filho que nasceu há dias, vou tratar de arranjar um emprego. O importante é que aqui, apesar de tudo, ninguém me descobrirá.”

FAUSTO WOLFF, fragmento de O acrobata pede desculpas e cai, José Álvaro Editor, 1966

“Porcos enormes comandam milhões de porquinhos (…) Um dia compreendi que não sou um porco. Não sou um porco político, um porco jornalista, um porco padre, um porco industrial, um porco comunista, um porco pai, um porco policial, um porco estudante, um porco papa, um porco filantropo, um porco artista, um porco poeta. Compreendi que sou um ser humano feito à minha imagem e semelhança.”

FAUSTO WOLLF, fragmento de Matem o cantor e chamem o garçom, Editora Codecri, 1978  

 

[ O grande Lobo faleceu na noite de ontem. Assim vão-se grandes sujeitos e ficam os porcos. Tomemos muitos uísques em sua homenagem. ]

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