s o r t e

* * *

e hoje eu vou escrever um poema sobre como crio títulos

pros meus livros

hoje eu tava passando com pressa na frente da banca de jornal

pronto, já tou escrevendo

e li apressado o título de uma revista

eu tava voltando do banco, duas horas na fila

tava cheio de fome

eu passei com muita pressa na frente da banca

no restaurante por kilo também tinha fila

quando eu passo com pressa na frente da banca

odeio restaurante por kilo

nunca deixo de olhar pra dentro dela, pras prateleiras coloridas

tenho impressão que a comida é suja

já achei um cabelo enrolado numa vagem

uma vez

mas eu tava com fome

então

o colorido das revistas na banca abre meu apetite

nunca deixo de olhar pro interior da banca

sou muito curioso

então

como eu dizia

eu passei correndo porque tava cheio de fome

e vi lá uma revista que chamava A BÍBLIA DO PESCADOR

mas eu tava cheio de pressa e com fome

e comi um S

e então li A BÍBLIA DO PE  CADOR

e agora eu tenho de escrever um romance policial

com esse título

e pronto

é assim

que funciona

pronto

escrevi

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5 comentários sobre “* * *

  1. MESTREZINHO,

    Devo informar que depois de ter lido repetidas vezes a palavra NEBLINA nos teus livros, principalmente quando ela aparece no final de Curva de Rio Sujo, me vi OBRIGADO a incluir a palavra Neblina no título do meu livro. Só não tenho ainda o título definitivo, mas o conceito de neblina faz total sentido pro que estou escrevendo. E saiba: se um dia topar com um voluminho que tenha, no meio do título, a palavra neblina, será culpa tua, mestre. E nem é inveja: é só o reconhecimento de que, dentre outras cousas, tu és o Rei dos Títulos e da mutilação inevitável de qualquer leitor que pouse os olhos sobre – e dentro de – livros teus.

    • jocareinersterron disse:

      Abner

      EU QUERO VER ISSO, mesmo sob forte neblina.

      Ivana

      Não sabia. Acho que esse método deve se aplicar a todo autor míope com forte tendência a trocadilhos, não?

  2. doidivana disse:

    Joca, você sabia que o título “Evangelho segundo Jesus Cristo” surgiu porque o Saramago um dia passou por uma banca e leu errado uma manchete que estava exposta? Foi pra casa e começou a escrever o livro. Que coincidência da sua história com a dele! Vai em frente que você chega ao Oscar, digo, ao Nobel. beijinhos

  3. Joca,

    VERÁS. Eu e Marpessa de Castro nos inspiramos a montar a Trema (www.tremabooks.org), um selo nos moldes da Ciência do Acidente e da Livros do Mal. Temos, além de nossos livros, outros bons contistas no gatilho – tudo gente classe A. Mandaremos os livros pro prelo em 2010. Até lá, estamos levantando recursos, aprendendo o básico sobre mercado editorial e definindo cronogramas.

    O cenário não é tão favorável quanto 2001, mas se os caras da Não-Editora conseguiram fazer isso lá em Porto Alegre, é bem provável que tenhamos algum sucesso fazendo algo parecido em São Paulo: livros caprichados e baratos, lançamentos modestos onde nos abrirem as portas e um um senso de estar contribuindo com a diversão desse clube fetichista de leitores brazucas, do qual somos participantes anônimos.

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