a s p a s

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“A literatura não traz em si mesma marcas estéticas ou literárias. Existem escritores que são mais barrocos, que inflam o estilo, que escrevem com marcas literárias que não necessariamente agregam valor literário. Em relação à faculdade que, como agência de canonização, valoriza as escrituras que têm mais marcas literárias e menos as mais despojadas, suspendo o juízo e caracterizo: existem escrituras com marcas literárias e escrituras que as apagam. Obviamente considero que há valores, escrituras das quais gosto e das quais não gosto. Algumas das que têm marcas literárias são para mim somente ruins, recarregadas. Por outro lado, outras muito mais modestas me interessam mais porque têm uma vibração diferente.”

[ Josefina Ludmer, em entrevista ao ADN, suplemento do La Nación. Me pergunto se os jovens e talentosos críticos das universidades brasileiras (muitos estão na internet) não preferem, para efeito de estudo, a literatura com “marcas literárias” de autores estrangeiros como Sebald, Marías, Coetzee, Saer etc simplesmente pela falta de coragem de encarar “escrituras que apagam” a marca literária (e que consequentemente não têm ainda lastro crítico). Todavia, pode ser também que seja só cabotinismo envergonhado e às avessas. A ver. ]

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2 comentários sobre “* * *

  1. Pedro Jabur disse:

    cara, li seu post no blog da cia das letras e tinha lido o livro do Andrés Colino, que veio parar na minha mão meio que por acaso da vida.
    Vi que você gosta da literatura uruguaia e como tenho um irmão indo para lá, gostaria de saber, quais autores (dessa geração mais nova) você recomendaria…ou que te chamam atenção
    Se pudesse dar essa força….
    meu email está ai….
    Valeu…..

  2. ellen maria vasconcellos disse:

    oi Joca.
    sou uma dessas jovens estudantes brasileiras de letras, aparentemente crítica.
    passei o ultimo semestre na universidad de buenos aires e tive mais contato com essa crítica que Ludmer faz. tambem conheci a cucurto e a carlos busqued, que encaram essa escritura sem marcas. ainda falta esse conhecimento ultrapassar a fronteira da ignorancia que parece reinar nas universidades do lado de cá.
    esse teu ultimo livro, do funço do poço… é foda demais.

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