a s p a s

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Creio que essa é a verdadeira função da crítica: impedir que a loucura contida em uma obra contagie como uma peste toda a sociedade. É uma função repressora, de tipo policial, e não quero dizer que isso seja ruim; creio que é necessária. Mas pessoalmente me chateia, porque casualmente estão reprimindo a mim, ou ao menos àquilo que eu escrevo. Estão proibindo, colocando barreiras entre o leitor e o autor. Isso, naturalmente, termina por favorecer inclusive a literatura, permite-lhe crescer, buscar novas formas de dizer aquilo que é seu — do mesmo modo que a função policial permite que evoluam as formas do crime.

[ Retirado de autoentrevista do escritor uruguaio Mario Levrero que servirá de posfácio  ao romance “Dejen todo en mis manos”, a ser publicado em 2011 pela Editora Rocco em tradução deste que vos bloga. ]

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