a l h u r e s

Último brinde, Nicanor Parra

Queiramos ou não

temos somente três alternativas:

o ontem, o presente e o amanhã.

 

E nem sequer três

porque como disse o filósofo

o ontem foi ontem

nos pertence só em recordação:

à rosa que já se desfolhou

não se pode tirar outra pétala.

 

As cartas para jogar

são somente duas:

o presente e o dia de amanhã.

 

E nem sequer duas

porque é um fato bem estabelecido

que o presente não existe

senão na medida em que se faz passado

e já passou…

como a juventude.

 

Em resumidas contas

só vai nos restando o amanhã:

eu levanto meu copo

por esse dia que não chega nunca

que é o único, porém,

de que realmente dispomos.

[ Nicanor Parra finalmente levou o Cervantes. Este poema foi publicado no falido Hotel Hell ]

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