a s p a s

* * *

Número não existente, favor discar de novo

Dizem que aos quarenta

a gente tem a cara que deu pra arranjar

E aos trinta e nove?

Aos trinta e nove a gente tem a agenda telefônica

que merece. Tudo tá ali:

vendedores de seguros

amores de isopor

umas putas

vizinhos que praticam tiro ao pombo.

Porém nunca se sabe

com um pouco de sorte

talvez até dê pra encontrar

as duas ou três mulheres de sua vida

e uns quatro ou cinco amigos.

Talvez ainda dê tempo, seu banana:

sirva um copo de algum troço,

sente em sua poltrona favorita,

apague todas as luzes

e ligue pra eles

às quatro da madruga

só pra perguntar

se pensam em comparecer

ao teu enterro.

[ Poema do argentino Iván Noble, do livro De Tal Palo (Garrincha Club, 2012). Trad. JRT ]

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Um comentário sobre “* * *

  1. Acabei de ler Do Fundo do Poço se Vê a Lua, estou muito triste, não sei como descrever, algo assim acontece só de vez em quando na minha vida, mas ao mesmo tempo sou o tipo de pessoa que chora mais por um personagem morrer do que um niemeyer, sei lá. Chorei quando o Shiryu dos Cavaleiros do Zodíaco morreu, essa foi a primeira choradeira por personagem. Depois vieram os cantores, guitarristas, a morte de Joe Strummer, John Lennon, Renato Russo. Pessoas que sentia mais próximas de mim do que minha própria família. Há 6 anos atrás li As irmãs Makioka do Jun’Ichiro Tanizaki. É um livro muito extenso, contando a trajetória de uma família tradicional japonesa em franca decadência devido à Segunda Guerra, mas não. E conta a(s) história(s) dessas irmãs, que podem ser também Wiiliam e Wilson, no fundo todos eram iguais, mais diferentes, e quando terminei de ler esse livro, já sabia que ia chorar muito e chorei chorei chorei já nem sabendo mais o por quê. Talvez porque a vida seja muito inexplicável, talvez pelo sofrimento das mulheres. Do Fundo do Poço me causou a mesma sensação. Li nas idas para o trabalho, no trem, e tive vários momentos divertidos, mas depois senti que foi ficando sério e quis guardar esse momento meu com o livro para que acontecesse em casa. A dor que acontece ali é a minha dor, das minhas irmãs muçulmanas e de todos esmagados pela brutalidade. Dói que essa história seja contemporânea e não um relato de costumes deixados para trás. Dói ler no meio da poeira e do calor de São Paulo, sabendo que em algum lugar alguém pode estar vivendo coisas parecidas. Oh Deus! Obrigada por fazer existir um escritor como o Terron! vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

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