a l h u r e s

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Dez clássicos literários do século 21

 

1. Dois irmãos (2000) – Milton Hatoum

Último livro da literatura dita “brasileira”. A partir dele nenhuma idéia de Brasil será passível de ser reproduzida literariamente, assim como livros brasileiros não poderão ser publicados no exterior com bananeiras na capa etc.

 

2. Encrenca (2002) – Manoel Carlos Karam

Primeiro espécime da nova literatura brasileira ou, como disse Nelson de Oliveira, “uma história sobre ladrões de diálogos, transmissores de pranto, sobre Belbeltrana, moça muito interessante, e moedas e acasos”. Karam mirou o século 20 e acabou acertando o 21.

 

3. Jerusalém (2004) – Gonçalo M. Tavares

Tavares causa na literatura lusitana a mesma revolução lógica que Manoel Carlos Karam promoveu na brasileira. Só que aqui, evidentemente, ninguém leu nada. Então que leiam Karam na mesma chave que lêem Tavares e superem o seu complexo de vira-lata literário.

 

4. O paraíso é bem bacana (2006) – André Sant’Anna

Com um léxico de não mais do que cinquenta palavras, André fez a autópsia cerebral do homo brasiliensis do século 21. Mané, o jogador de futebol estúpido que vai à Alemanha ser cooptado por fundamentalistas islâmicos é um retalho — grande — de nossa alma vaga e bunda.

 

5. Rilke shake (2007) – Angélica Freitas

Livrinho que salvou nossa poesia recente da chatice do descompromisso com o leitor, que arranca gargalhadas até de gente que faz pose de conteúdo em orelha de livro e que deixa aquele retrogosto amargo: opa, mas que merda isso que tá acontecendo aqui, hein.

 

6. Bartleby e companhia (2000) – Enrique Vila-Matas

Bíblia bibliófila, Vila-Matas é o arauto da literatura como matéria vital: sem pretensão de ser sociologia, antropologia ou o que seja, nele a literatura se torna ciência leitora da vida como ela é: um palimpsesto de vozes e frases em transformação.

 

7. La novela luminosa (2005) – Mario Levrero

Levrero é prova inconteste de que a literatura do século 21 pertence à língua espanhola (e quem sabe à chinesa e à de língua portuguesa). Um cartapácio sobre a procrastinação escrito na chave de Macedonio Fernández, uma radiografia do tempo que se extingue.

 

8. 2666 (2006) – Roberto Bolaño

Com esse testamento o chileno desfez a idéia de que o apocalipse ocorrerá sob fogos de artifício e luzes maravilhosas. Este romance mostra o apocalipse canalha que está acontecendo agorinha diante de nossos olhos, e não duvido que o mundo acabe mesmo em 2666.

 

9. Austerlitz (2001) – W.G. Sebald

Sebald e o poder da memória. Sebald e as distorções da lembrança. Sebald e a construção e a descontrução do mundo. Jacques Austerlitz está entre os maiores personagens da literatura deste século. O sucesso do fracasso.

 

10. Oblivion: Stories (2004) – David Foster Wallace

Canto de cisne da literatura de língua inglesa, que hoje prefere atender exclusivamente à lógica do mercado em vez de atender à lógica literária. DFW é o Messias do século 21 e renascerá em 2667 para nos salvar.

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