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[ É sempre difícil ler esses textos em off e fazer com que soem menos artificiais. Mas. Enfim. Taí. ]

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[ Ganhei o incrível cd da Lulina, que é a Adília Lopes ou então a Angélica Freitas  ou então o Roberto Carlos de minissaia da música brasileira. No cd tem várias músicas do ano -- de 2010, de 2020, de 2030? --, não deixem de conferir. ]

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[ Rabisco num caderno novo que a Zabé me deu de presente. ]

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Levanto. Não sei como. Arrasto a perna que não quer acordar até a janela basculante. O vidro está imundo, cheio de marcas de dedo. Serão minhas, as marcas? Há manchas de sangue, impressões digitais feitas com sangue em meio à fuligem. Serão minhas? As marcas? A perna acorda. Digo bom dia. Olho para fora com o olho apertado. Fuligem é a cor da cidade. Fuligem. O olho vê tudo escuro, fico tonto. Tonto, tonto. Azulejos em cima, embaixo. Dos lados. Cobertos de fuligem. Manchas de sangue. No chão. Na calça do pijama. Serão? Minhas? A perna anda. Meu único olho foca o exterior. Consigo ver o Homem-Escada escalando uma torre. Um olho vê tudo, outro vê nada. Sua silhueta de escada parece se misturar à da torre em cima do prédio. Ele chega ao topo e lá em cima começa a chorar. O Homem-Escada derrama lágrimas que são levadas pelo vento. Vão em direção à cidade. Suas lágrimas se tornam cinzas, misturadas à fuligem de Nãorizonte. As lágrimas do Homem-Escada viram cinzas. O Homem-Escada entorna um galão de combustível sobre si mesmo. Ele ateia fogo no seu corpo em forma de escada. Aos poucos as chamas incendeiam cada degrau, até atingirem sua capa. O Homem-Escada é um símbolo flamejante alimentado pelo vento no topo de um prédio. Símbolo de quê? Não sei. Você não sabe? Eu também não.

[ Tiquinho de livro em construção; o esboço acima é de André Ducci. ]

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História da Literatura Brasileira em 4 Quadrinhos

peanutsstrip

[ Essa é a primeira aparição de Peanuts, a tira de jornal mais longeva de todos os tempos -- de 1950, creio; good ol' Charles Schulz! -- a ironia, é claro, se aplica a outras áreas da expressão humana em sua versão tupichinfrim: pode ser, por ex., História das Histórias em Quadrinhos Brasileiras em 4 Quadrinhos, ou mesmo História da Música Brasileira em 4 Quadrinhos; a escolha fica, portanto, a gosto do carapuceiro. ]

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cenário

[ Meu livro que ganhou a bolsa da Petrobras terá páginas de quadrinhos. Os desenhos serão de André Ducci, um quadrinhista sensacional lá de Curitiba. Esse aí de cima é um estudo de personagem. O livro sairá no começo de 2010 pela Agir. Darei mais notícias adiante. ]

Um email de Bolaño

ilustra Pedro Vieira

ilustra Pedro Vieira

 

“(Roberto Bolaño) Se interesaba por la política latinoamericana: “No seré yo el que te diga que en política la realidad y el deseo son dos cosas bien distintas. Para mí Lula es, en principio, un antiguo obrero que promete hacer lo posible para que todos los brasileños coman tres veces al día. Como objetivo político, o de política social, no está mal, es razonable, aunque como utopía es francamente pobre. Es como si Joyce, por poner un ejemplo de utopía literaria, hubiera dicho que su objetivo era combatir el analfabetismo irlandés y hacia ese fin hubiera dirigido todas sus energías. Sobre todo, porque Joyce, si se hubiera dedicado a alfabetizar, no hubiera conseguido nada, que será lo que Lula, mucho me temo, conseguirá al final de su mandato”, escribió a esta cronista.”

[ Mónica Maristain, jornalista a quem Bolaño concedeu sua última e melhor entrevista, publicou ótimo artigo no jornal mexicano El Universal. Nele, usa trechos de sua correspondência pessoal com o chileno galáctico, como acima. Há também uma afirmação de que Bolaño ouvia o brasileiro Lenine. Sei não. A dica veio de Marçal Aquino por email. Ah, aproveitem e visitem o blogue criado para promover o lançamento de 2666. Em Portugal, por aqui o livro sai em 2010. E a boa nova é que a Companhia das Letras também publicará Estrella Distante]

Mãos ao alto!

Era dia sete de setembro e levei minha filha para ver um quadro de Pedro Américo no Museu Paulista.
“Você conhece Pedro Américo, filha?”, eu perguntei a ela.
“Não conheço não, pai. Ele estuda na minha escola?”, ela respondeu, curiosa.
Então expliquei que Pedro Américo tinha sido um grande pintor.
“Foi ele quem pintou o mais famoso quadro sobre a Independência do Brasil, chamado ‘O grito do Ipiranga’, eu disse.
Era essa pintura que nós tínhamos ido ver. Eu estava meio esquisito, pois havia quebrado o braço de tal jeito que os médicos tiveram de engessá-lo assim, reto, apontando para cima.
“Pai, você tá muito engraçado com esse braço apontando para o céu”, disse minha filha.
“Eu sei, filha. Parece que tô tentando pegar ônibus o tempo todo, né?”. Ela deu muita risada quando eu disse isto.
Quando nós chegamos no museu e paramos na frente do quadro, percebi como eu estava parecido com Dom Pedro I.
“Sabe, só agora estou percebendo como o dia sete de setembro de 1822 deve ter sido chato para Dom Pedro I”, eu falei.
Ela olhou para mim com aquela cara de criança querendo saber mais. Continuei:
“Ah, ele deve ter acordado e pensado ‘É hoje que vou ter de gritar INDEPENDÊNCIA OU MORTE! e ficar para sempre com o braço levantado para cima em algum quadro que alguém ainda vai pintar. Que coisa mais chata!”
“E tava certo, né, pai? Olha só o quadro, ele tá igualzinho a você!”, minha filha falou, dando risada.
E quando percebi toda a criançada estava pulando à minha volta, gritando “Independência ou Morte! Independência ou Morte!”. Foi muito engraçado.
A única coisa que não foi engraçada foi quando saímos do museu e vimos a rua cheia de camelôs trabalhando em pleno feriado para sobreviver.
E foi assim, depois das risadas, que eu expliquei para minha filha tim-tim por tim-tim por que a independência do Brasil tinha sido feita pelos ricos apenas para os ricos.
Mas esta é outra história, menos divertida, e fica para outra vez.

[ Publicado na Folhinha, suplemento infantil da Folha de S.Paulo, em 2 de setembro de 2006 ]

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quas22082009

[ Quase Nada, a tira de Moon & Bá, na Ilustrada de hoje. Morri. ]

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